NADA MAIS QUE O DESAFOGO

Me afogando em pílulas brancas que me deixam levitante
Vivendo no remorso interno desde um janeiro massante…
Olho no espelho e me deparo com um ser delirante
Que apesar dos empecilhos sempre se mantém sonhante!
Então vou tomando impulso nas barreiras a minha frente
Coragem e determinação, deixando o medo latente
Porém corro feito louco, sem saber pra onde ir
Num eterno túnel escuro, não vejo o que me faz sorrir
Ouço vozes que não conheço, um grito agoniado
Logo penso que não sou o único aqui, amargurado…
Perdi a noção de sentimento, também de emoção
Não sei mais o que se passa aqui dentro
A felicidade se confunde, a tristeza rouba a cena
Meu coração sempre empolgante, já a alma sempre serena
Um equilíbrio inexistente, até a certeza é uma dúvida cruel!
Contraditório, assim como meu equilíbrio residir no papel
Sucumbiu-se de mim o caminho da alegria
Procuro seus rastros, mas só encontro agonia
Mas um dia esse escuro acaba, tenho fé…
Afinal, só isso tem me mantido de pé.
(Gustavo Raps)




